Música que mais tocou no dia em que nasci!
XD''
22 de fevereiro de 1990!
27 julho, 2009
Paula Abdul - Opposites Attract (Video)
23 julho, 2009
22 julho, 2009
Mexeram com o português.
De Tati Bernardi.
Para tudo! Não me conformo com enjoo sem circunflexo. Sentir enjoo, ao menos pra mim, é a pior coisa do mundo. É a certeza de que tudo vai muito mal, deu muito errado, saiu do controle. Tem que ter intensidade, tem que ser acentuado. Transformaram o passar mal numa coisa que passa desapercebida (ou despercebida?). Tiraram o drama do enjoo. Tiraram a dramaticidade de quem briga e grita “paraaa tudooo”.
Ideia sem acento é outra coisa que me mata. Porque quando temos uma, a vida flui, abre um chacra no topo da nossa cabeça (meu psiquiatra espírita que disse). Os braços se abrem em alegria. A lâmpada surge em cima da cabeça. O mundo pede um acento pra isso. Ideeeeia. Ninguém tem uma ideia. A gente tem uma ideeeeia. Porque ideia fraca nem chega a classificar ideia. Ideia serve pra se destacar, não? Paranoia serve pra ser sentida até suas últimas consequências sem trema. Assim como estreia. Ninguém estreia pra passar despercebido (ou desapercebido?). É duro ter apego a uma verdade e de repente (ainda bem que não inventaram de ser “derrepente”) ela passar a ser incorreta. Eu tinha muito apego às minhas ideias com acento. Mas crase nunca soube usar direito e eles insistem em manter: afinal, "às minhas ideias” têm crase?
Ainda bem que “minhas ideias têm” continua com acento no tem. Meu cérebro entende que onde tem mais de um querendo ter ideia, tem sempre um que toma chapéu. Já os coitados que veem, agora, vão ter de ver de pé mesmo. A última: meu cérebro também entende que voo sem acento pode ser aceitável, afinal, já é assim mesmo que a gente se sente espremido neles. E peço desculpa a vocês por esse parágrafo com três trocadilhos infames e seguidos, mas não resisti.
Tô com medo de ter virado a minha avó, que em seu livro de receitas escrevia absurdos como “êle” (calma, ela não fazia picadinha de gente). Já tô até vendo meus netos lendo meus livros antigos e rindo de erros de ortografia e outras bobeiras que certamente cairão em desuso. Como procurar um romântico avô para eles, por exemplo.
Um assunto que virou quase uma pedra de césio é a tal da diferença entre história e estória. ESTÓRIA não existe mais, gente! Há anos! Mas já percebeu como tem sempre alguém de óculos que adora brigar por isso? E “estória” também era mentirinha, lorota, livro de criança. Como hoje em dia tudo ficou sério demais (até bala barata de cinema só vende se tiver vitaminas e fibras), virou tudo história mesmo. Tudo chato e de verdade.
Tem mudança que não me incomodou nem um pouco. A queda do tal de acento agudo “na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação”. Oi? Que língua é essa? Quem fala assim além de padre e/ou pseudo ator ex-comunista e ex-hippie e atual budista de peça de teatro chata que fica adaptando russo em teatro sem ar condicionado? Quem fala: amámos ou louvámos?
O trema também já vai tarde. Eu já não uso desde o colegial, quando a Celina, minha professora querida que nunca esqueço, liberava a gente desses pontinhos chatos. Pontinhos servem pra classificar ideias mal acabadas ou infinitas ou misteriosas e assinatura de metidos a maçom (metido “a” tem crase?). Mas pra fazer som de francesa transando não. “Oui”!
Já em Portugal, finalmente eles tiraram o “c” de ação. Ninguém que precisa agir rápido para (do verbo parar) para (olha a dificuldade) ter uma “acção” ou um “acto”. Quem se deu bem foi o kiwi (diferente da pera), que agora, tem duas de suas únicas consoantes aceitas pelo dicionário. Se fosse “kiwy”, essa seria uma fruta heroica sem acento. Um exemplo de modernidade. Deveria ter um monumento de “kiwy” em frente ao Museu da Língua Portuguesa. E a história dele é séria: tem vitaminas e fibras e tal.
Ao final do texto, meu “corretor do Word” desavisado, ultrapassado e sofredor, me avisa de muitos erros. Mal sabe ele.
15 julho, 2009
Salmo 139
Sabes quando me assento e quando me levanto;
de longe penetras os meus pensamentos.
Esquandrinhas o meu andar e o meu deitar
e conheces todos os meus caminhos.
Ainda a palavra me não chegou à língua,
e tu, SENHOR, já a conheces toda.
Tu me cercas por trás e por diante
e sobre mim pões a mão.
Tal conhecimento é maravilhoso demais pra mim:
é sobremodo elevado, não o posso atingir.
Para onde me ausentarei do teu espírito?
Para onde fugirei da tua face?
Se subo aos céus, lá estás;
se faço a minha cama no mais profundo abismo,
lá estás também;
se tomo as asas da alvorada
e me detenho nos confins dos mares,
ainda lá me haverá de guiar a tua mão,
e a tua destra me susterá.
Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão,
e a luz ao redor de mim se fará noite,
até as próprias trevas não te serão escuras:
as trevas e a luz são a mesma coisa.
Pois tu formastes o meu interior
tu me teceste no seio de minha mãe.
Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste;
as tuas obras são admiráveis,
e a minha alma o sabe muito bem;
os meus ossos não te foram encobertos,
quando no oculto
fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos me viram a substância ainda informe,
e no teu livro foram escritos todos os meus dias,
cada um deles escrito e determinado,
quando nem um deles havia ainda.
Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos!
E como é grande a soma deles!
Se os contasse, excedem os grãos de areia;
contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim.
Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso;
apartai-vos, pois, de mim, homens de sangue.
Eles se rebelam insidiosamente contra ti
e como teus inimigos falam malícia.
Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem?
E não abomino os que contra ti se levantam?
Aborreço-os com ódio consumado;
para mim são inimigo de fato.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração,
prova-me e conhece os meus pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau
e guia-me pelo caminho eterno.
Amém!
13 julho, 2009
Doce vida.
De Nelson Botter Jr.
O encontro estava marcado para as 15 horas, horário do recreio.
Ela de fitinha rosa nas madeixas loiras, camisa branca de botão e saia azul do uniforme escolar, lancheira do New Kids On The Block e Melissinha.
Ele com seu cabelo ruivo escorrido e penteado para o lado, óculos de aro redondo, uniforme limpinho, sardas e uma sacolinha na mão.
Quando o viu se aproximando, ficou ansiosa. Ele, por sua vez, tinha as pernas trêmulas.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto da garota, enquanto ele mal a olhava nos olhos.
Aproximou-se, cumprimentando-a timidamente com uma das mãos levantadas.
Ela estava linda. Uma bonequinha, um verdadeiro sonho com aquelas bochechas rosadas e um sorriso encantador.
- Achei que você não ia vir.
- Por quê? Que bobo...
- Ah, sei lá.
Ela ficou tímida e ele mais ainda.
- Trouxe isso pra você – ele falou, tirando de dentro da sacolinha um lanche Mirabel.
- É de chocolate? – seus olhos brilharam.
- Não... – ele titubeou – é de morango... tem problema?
Ela pensou um pouco.
- Claro que não, eu gosto de chocolate e também gosto de morango.
Ele sentiu-se aliviado e parecia caminhar nas nuvens quando a viu pegando o pacote de biscoito para guardar na lancheira.
- Obrigada.
- Se você quiser, posso te trazer um Mirabel de chocolate amanhã...
- Jura?
- Sim, juro.
- Eu quero!
- Tá bom, eu trago.
Silêncio. Constrangimento no ar pela falta de assunto.
Ele pensou, pensou e, então, encheu-se de coragem.
- Posso te dar um beijo?
Ela corou. Ficou em silêncio. Então sorriu de leve, charmosinha.
- Por que você quer me beijar?
Ele não sabia o que dizer. Não sabia como falar que aquele beijo era um gesto de carinho, que a achava uma menina muito legal, doce, meiga... Simplesmente não sabia como dizer isso. E não disse.
- O Alexandre falou que beijou seu rosto na semana passada, então eu também queria um beijo seu...
O semblante dela se transformou. De anjinha a diaba em segundos. Com o olhar, fuzilou o garoto, que não sabia o que fazer pra reparar a bobagem.
Ainda tentou falar algo, mas as palavras não lhe vieram.
O que veio foi um tapa. No rosto. Fraco, mas forte o suficiente para disparar seu coração de garoto inocente.
Ele a viu sair em passos largos e furiosos.
Lá se foi sua menina, seu beijo e seu Mirabel.
Ao ajeitar seus óculos, começou a descobrir o quanto as mulheres são misteriosas e absurdamente tentadoras.
E tinha certeza, sabe-se lá como, mas tinha, que amanhã ela estaria ali, novamente, esperando pelo Mirabel de chocolate.
11 julho, 2009
Viajar é preciso.
De Cléo Araújo.
Às vezes eu penso que quase poderia ser feliz só com essa sensação de véspera.
É que tenho essa relação estranha com as viagens.
Uma mistura de aperto no peito por deixar as coisas daqui e uma euforia por encontrar as coisas de lá.
No fim, eu vou. Cá entre nós? Fico feliz à beça. Mas acho difícil pra danar.
Primeiro porque o meu pecado capital definitivamente é a preguiça. Eu até gostaria que fosse a luxúria ou a vaidade, mas não, é a tão pouco glamourosa preguiça mesmo.
Isso significa que não é fácil sair daqui e voar por mais de 11 horas - sabendo que, para voltar, serão pelo menos mais 12, no sentido oposto. Essas 23 horas de avião me angustiam, mas num embolado de sensações difícil de descrever.
Já sei que vou sentir saudade da minha cachorra. Da minha nova faca de cozinha, do meu computador, do meu carro mecânico, do Renato Machado, dos meus vinhos chilenos, do Simon Cowell, de cozinhar com restos da geladeira às dez da noite e do “bom dia” do senhorzinho da banca de jornal.
Mas aí, de repente, a preguiça dá uma trégua. Me empolgo na arrumação da mala. Decido que preciso de uma roupa nova para comemorar meu aniversário em um lugar especial, uma nova cor para os meus novos cabelos brancos, um All Star vermelho e um Ipod de um milhão de gigas.
Aí vou atrás de alguém para aguar as minhas plantas. Repasso telefones de emergência para os porteiros - no caso do prédio ser invadido por Gremlins e eles precisarem evacuar as dependências do edifício. Distribuo os meus itinerários para pai, mãe e irmã, caso eles precisem me localizar numa situação inesperada, do tipo, a Venezuela invadir o Brasil. E isso tudo porque eu vou ficar fora de casa durante a eternidade de quinze dias. Turista, sim, mas com toques de neurose.
E a nécessaire? Acetona, por exemplo. Levar ou não? Tem coisa melhor do que precisar de uma acetona e tê-la ali, no conforto da sua frasqueira, no meio da madrugada e num lugar isolado e sem farmácia como, sei lá, o Monte Saint Michel? Durante a maré alta? Mas imagine se ela resolve vazar dentro da mala? Que caca...
Bom, quando faltam só algumas horas para o embarque, há que se checar dezoito vezes o passaporte, os cartões de crédito, os adaptadores de tomada, o e-ticket anotado em algum lugar, os vouchers de hotel, enfim, é uma versão compacta de todo o seu mundo que você precisa carregar em uma mala média e em uma bolsa a tiracolo. E se existe uma certeza turística nessa vida, ela é a seguinte: algumas coisas vão faltar - como uma meia, um colírio e um alicate de unha - e outras voltarão intactas - como o vestidinho preto de sair e o sapato de salto.
Sei que lá vamos nós. E já decidi que quero estar lá enquanto estiver. Inteira. Não quero só o frio na barriga da véspera. Não quero perceber o quanto tudo foi sensacional só depois, como resultado da lembrança. Não quero a memória da taça de vinho branco naquele restaurante charmoso que descobri sem querer numa ruela. Quero viver a taça de vinho branco na hora exata em que ele fizer cócegas nas minhas papilas.
Quero curtir os chuveiros traiçoeiros, as camas estranhas, os idiomas desconhecidos e até as bolhas nos pés. Quero descobrir um novo jeito de chamar a Kibon e a Elma Chips. Quero um bronzeado nem que seja com a marca da camiseta para levar para casa.
Lá, onde as plantas estão hidratadas, onde a cachorra está adorando tirar uma folga de mim, onde não há Gremlins e nem invasões bélicas inesperadas de inimigos sul-americanos.
Viajar é preciso, sim.
E nem é tão difícil.
É só levar uma acetona bem tampada, um All Star vermelho, apertar os cintos e ir.
10 julho, 2009
09 julho, 2009
Momento repescagem.
De Tati Bernardi.
Em alguns momentos da vida, mais comumente quando começa o inverno, repensamos nossos “descartes” (não o pensador) pelo mundo afora.
É a época em que cai a ficha, finalmente, de que o tal moço incrível que vai te dar segurança, filhos, amor incondicional, cultura geral mas com profundidade e quinze orgasmos por semana pode não existir. Aí você pensa: poxa, mas tinha aquele lá, ele não era tão ruim, era? Acabou por quê?
É o momento repescagem. Todo mundo já repescou ou foi repescado. Basta o cachecol e a bota de cano alto saírem às ruas. O amor meia boca volta a imperar. Garotos não tão bons de papo mas com uma boa performance no quentinho do edredom, voltam pro jogo. Outros, mais recatados e sem glamour na pegação, mas inteligentes e perfeitos para um vinhozinho de fim de dia, reaparecem com boas chances de serem valorizados. É o frio, minha gente. Nada além disso.
Os bons de papo e de cama, mesa e banho, então, nossa. Esses recebem propostas de casamento, ganham presentes, massagens e outras coisinhas que mulheres juravam jamais dar. Elas esquecem que eram tipos malucos, inconstantes, mentirosos, traidores, covardes e mais um monte de coisa grave que ganha “desimportância” conforme o frio aumenta. Eram ótimos partidos! Eu que sou muito exigente! O frio diminui as expectativas, as esperanças, os sonhos. O frio só aumenta o desespero.
Se você, caro leitor, é um partido meia boca, saiba que suas chances duplicam no inverno. Se você, cara leitora, é uma mulher que odeia se sentir burra, espere o tempo esquentar antes de mandar aquela mensagem de texto de madrugada pro seu ex-ex-ex-ex-ex-namorado. Se você deixou ele ir embora, não é o frio que deve trazê-lo de volta.
Calma que daqui a pouco a voz da razão ou da regata com shortinho vai te mostrar o caminho correto.
08 julho, 2009
07 julho, 2009
Nomes impróprios.
De Giovana Madalosso.
Tenho apreço por nomes. Deve ser de família. Minha mãe se preocupa tanto com isso que, quando minha irmã nasceu, não conseguiu decidir entre os nomes pré-selecionados. Queria sentir qual deles combinava mais com a personalidade da menina, na ocasião um joelho que só se expressava através do choro. Durante quase seis meses, fomos obrigados a chamá-la, alternadamente, de Isadora, Chiara e Bruna, gerando tamanha confusão mental no bebê que até nosso gato, quando chamado, atendia com mais prontidão. Ainda que tenha achado a experiência exagerada, entendo a sua motivação. Nomes têm o poder de influir no destino do nomeado. E não digo isso com base na onomástica ou na cabala, mas em outra escola tão poderosa quanto: o mau gosto.
Ouvi falar de um pai que queria registrar o filho como Rambo. O funcionário do cartório tentou dissuadi-lo, dizendo que Rambo não era um nome propriamente dito. Depois de muita conversa, chegaram num consenso e o filho foi registrado como Sylvester Stallone. Escapou de ser título de filme, mas continuou carregando nas costas um peso pesado. Imagino o primeiro dia de aula do garoto. Sylvester Stallone!, a professora deve ter chamado, e todos viraram para trás, esperando uma imensa massa de músculos e, ao verem um menino franzino, ainda cheirando a fraldas, devem ter caído na gargalhada, dando início a uma sucessão de constrangimentos que devem tê-lo acompanhado por toda a sua vida.
É inegável: nomes compõem uma imagem. Os artistas têm tanta consciência disso que sempre apelaram sem culpa para os pseudônimos. Sabe quem foi Agenor de Miranda Araújo Neto? O Cazuza. Dá para imaginar os fãs gritando “Agenor! Agenor! Agenor!”? Era capaz de os mais desavisados nem comprarem o disco, achando se tratar de um cantor de pagode. Se Xuxa não tivesse adotado outro nome, seu programa se chamaria Show da Maria da Graça, interessante só para os baixinhos evangélicos, e olha lá. E o que dizer de Malba Tahan? Esse escolheu um pseudônimo tão persuasivo que eu passei a infância inteira achando que lia um escritor árabe, quando na verdade lia o brazuca – e muito esperto ¬– Júlio César de Melo e Sousa.
Na literatura os nomes também têm um papel relevante, já que servem de ferramenta para definir o personagem. Nesse caso, a personalidade nasce antes e o nome vem como uma extensão dela, atingindo um grau de coerência raro no mundo dos mortais. Capitu consegue condensar, em seis letras, toda a aura de mistério e sedução da personagem. Uma Terezinha de olhar oblíquo e dissimulado não fascinaria tantos os leitores. Lewis Carrol acertou chamando sua personagem de Alice. Fosse Cassandra no País das Maravilhas e o público pensaria se tratar das aventuras de uma garota pervertida com um coelho ninfomaníaco.
Seja na ficção ou na realidade, há, por trás de cada nome, a projeção de um desejo. Todos querem promover socialmente o seu rebento, muitas vezes lançando mão de firulas indizíveis para atingir esse objetivo. As classes mais baixas apelam para o status do inglês, dando origem a Maycons, Uóchingtons, Gecicas e outras pérolas que, ironicamente, nem os anglo-saxões conhecem. Já a classe média – sempre cansada de ser mediana – tenta elevar o filho apostando em nomes aristocráticos ou na grandiosidade dos sufixos: “Cassio é simples demais. Vamos pôr Cassius. Ou, melhor ainda, Cassius Frabricius”. Com as classes mais altas, o ciclo se inverte. Esses buscam a simplicidade. Não porque não queiram provar nada para ninguém – no fundo, todo mundo quer –, mas porque o que querem provar é justamente que estão acima das aspirações sociais e, portanto, podem se dar ao luxo do despojamento impresso em Claras, Pedros e Marias.
Num mundo de anseios tão diversos, o resultado é uma sociedade formada por RGs que vão de Jesus Krystos a Darkison Wilsons. O que, no final das contas, não é de todo mau, pois faz com que uma pergunta tão banal quanto “qual o seu nome?” seja o começo de uma conversa, no mínimo, divertida.